É só um tapinha?

É só um tapinha?

Em 14 de julho de 2010, foi aprovada uma lei proibindo pais, professores, cuidadores de menores proibindo beliscões ou mesmo o aparentemente inofensivo tapinha. Esse passo importante  marcar os 20 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Claro que lei não é garantia de nada. Afinal, violência contra a mulher já é crime há algum tempo e isso não impede que muitas mulheres sofram diariamente com a violência doméstica. Mas se uma  conduta considerada normal vira lei, é  passível de punição.

Eu fico pensando, muitas vezes, porque algumas pessoas acham que tem direito de bater ou beliscar seus filhos e o fazem publicamente. Imagine o que não são capazes de fazer longe dos olhos alheios?

Crianças exigem e pedem constantemente por limites, para que nós possamos preencher a figura de autoridade que elas tanto necessitam para usarem como espelho. Assim como precisamos assumir esta postura para conduzir nossas vidas profissionais. Por que conseguimos usar outros mecanismos e achamos ser legítimo punir com tapas e outras formas de violência, aqueles que são grandes almas em pequenos corpos?

Eu cresci com tapas, com medo da minha mãe. As marcas ficaram para sempre dentro de mim e são como um lembrete para que nunca faça o mesmo com meu filho. Quando tudo parece sair do controle, o que costumo fazer é sair de parto. Afinal, quem numa reunião de trabalho ou discussão acalorada com alguém, perde o controle e dá um tapa. Isso até pode acontecer, mas não entra na esfera da normalidade, como é a violência contra a criança.

Talvez esta lei seja um passo para começarmos a tratar as crianças de um ponto de vista integral, como um ser humano inteiro e não deixar que a visão de inferioridade que por séculos foram condenadas.

Aliás, há uma frase que amo que diz que a cada nova alma que nasce mostra que Deus não perdeu a esperança em nós humanos. Cada nova vida guarda dentro de si o potencial de mudar o mundo, mundo esse que se transforma primeiro dentro de nós, depois em nossas relações mais próximas e nesta teia eterna,s em perceber, mudamos o mundo.

E você, o que acha desta lei? No seu mundo palmadas também são inconcebíveis?

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