Filhos, Ter ou não Ter?

Filhos, Ter ou não Ter?

Achei perdido numas anotações por aqui um link, de um texto republicado no blog da Rosana, companheira mamífera que inclusive já andou palpitando por aqui. O texto é antigo, tem quase dois anos. Mas mesmo sendo notícia ‘requentada’ (rs), achei que tinha tudo a ver comentar por aqui.

Eu cheguei a ler o texto na época em que foi publicado originalmente, no blog da autora – que aliás é uma blogueira de mão cheia e merece uma visita – , cheguei a pensar em comentá-lo aqui, mas na correria do dia-a-dia, a idéia acabou se perdendo. Agora que o texto “me encontrou” novamente, e acreditando que nada é por acaso, resolvi colocar aqui algumas minhocações a respeito.

Pra começar, preciso dizer que acho que a autora está certíssima em dizer que nem todas as mulheres nasceram para ser mães. Ter filhos não pode ser obrigação, não pode ser compromisso de todos, ter filhos não é cumprir papel na sociedade, nada disso. Ter filhos tem que ser um desejo vindo do mais fundo da alma, senão a coisa não funciona. E quando não se tem esse desejo, melhor mesmo seguir outro caminho, porque há muitos jeitos de ser feliz nessa vida, e cada um escolhe o seu.

Isso dito, acho importante esclarecer que filho não é um projeto que a gente traça na vida, estabelecendo metas e definindo objetivos claros, do tipo: quero ter um filho para dar sentido à minha vida, para estabilizar meu casamento, para me fazer companhia, para me ajudar a amadurecer e melhorar, ou seja lá qual for o objetivo que se tenha.

Filhos não dão sentido à vida. Se você sente que a sua vida está sem sentido hoje, ainda que você tenha dez filhos, um seguidinho do outro, em escadinha, muito provavelmente continuará se sentindo da mesma forma. O sentido que a gente encontra pra essa caminhada a que chamamos vida mora dentro da gente, não no companheiro, nem na profissão, nem nos bens materiais que se possui, nem na maternidade. A busca por um sentido na vida é absolutamente ‘pessoal e intransferível’, e essa responsabilidade não dá pra jogar nas costas de ninguém.

A gente não tem filhos para crescer, para melhorar, para aprender. A gente cresce, melhora, aprende? Sim. A gente amadurece quando se torna mãe? Sim, sem dúvida. Mas é consequência, e não causa. A gente se redescobre, se reinventa e renasce quando tem um filho, mas isso só acontece porque a gente simplesmente se entregou à experiência, sem cobranças prévias, sem ter traçado uma linha de chegada. E existem milhares de outros caminhos que nos fazem crescer, amadurecer e melhorar. A maternidade é apenas um deles. Pra mim, o mais delicioso e divertido, entre todos. Para outras, pode não ser.

Quando olho para as minhas filhas, não vejo nelas a responsabilidade de me fazer feliz, nem a obrigação de me colocar todos os dias um sorriso no rosto. Sim, isso acontece, é verdade. Elas me fazem feliz, e são responsáveis por grande parte dos meus sorrisos e do brilho dos meus olhos. Mas essa felicidade, na verdade, vem de mim. Do lindo processo de redescobrimento que venho vivendo desde que elas vieram ao mundo, de coisas que elas me ajudam a fazer brotar, a fazer florescer. É um sentimento que vem de dentro, não de fora.

Minhas filhas, pra mim, são antes de tudo companheiras de jornada. Almas iluminadas que vieram para caminhar lado a lado comigo, enquanto assim o desejarem. E se um dia tiver de ser diferente, que seja. Não as pus no mundo para servirem a mim de maneira alguma, mas para descobrirem a si mesmas, e encontrarem seus próprios caminhos.

De resto, não é porque se tem filhos que não se é mãe da própria vida. Isso da gente se deixar florescer, essa entrega e inteireza de quem vive seus dias sem medo de sentir de tudo, isso é algo que a gente conquista, constrói. Com ou sem filhos, ou apesar deles. Eu me sinto mais livre hoje do que jamais fui, em toda a minha vida. Mais dona do meu nariz, mais senhora de mim. E isso, não foram elas que me deram. Fui eu mesma.

Então, pra resumir, eu acho que tem mesmo que ser cada um na sua. Quem quer ter filhos, que corra atrás disso e viva essa linda experiência, tão encantadora e transformadora. E quem não quer, que corra atrás de outras experiências, sejam quais forem.

Porque de um jeito ou de outro, a única coisa que não vale é a gente ficar parado. Felicidade não bate na porta, tem que correr atrás. Como? Bom, aí é ‘cadum cadum’…

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