Na luta, companheiras

Na luta, companheiras

Quando engravidei não imaginava que existia uma indústria do nascimento e muito menos um modelo obstétrico e pediátrico cheio de procedimentos prejudiciais para a mulher e seu bebê. Na busca de informações encontrei muitos mitos, muitos caminhos, muitas opiniões. Quase todas favoráveis ao modelo vigente.

Muita gente me fala que é a favor do parto normal, mas natural é demais. Para quê parir sem anestesia? E a grande maioria não sabe o que é episiotomia, raspagem dos pelos, lavagem intestinal e muito menos que a mulher em trabalho de parto passa por todos estes procedimentos.

Uma grande maioria sequer questiona o médico sobre os procedimentos, porque questionar um médico parece inquestionável. Afinal, na mentalidade coletiva, o médico estudou e deve saber mais do que a gente. Muita gente nem imagina que um bebê, mesmo saudável, é aspirado, separado da mãe, recebe colírio para evitar uma conjuntivite causada por gonorréia (mesmo que nasça de cesárea e a mãe não tenha a doença).

Eu descobri tudo isso freqüentando, em São Paulo, o GAMA ONG Bem Nascer, em Belo Horizonte. Neste processo de descoberta eu me apaixonei sobre o tema e vi o quanto as mulheres perdem a oportunidade de oferecer um nascimento digno e deixam de nascer também em uma nova instância feminina. A gestação e meu parto natural domiciliar foram as experiência mais fantásticas, espirituais e transformadoras da minha vida.

Por descobrir tanta coisa, me uni a Kathy e a Tata para escrever diariamente sobre o tema, quase como sacerdotisas de uma organização secreta que oferece informações que não se encontra por ai.

Dentro do movimento da humanização do nascimento sou ainda imatura, com minha maternagem de 4 anos e um único filho. Mas, a cada dia, me surpreendo com o número de pessoas que mudaram sua historia de nascer ao conhecer as informações que aqui encontram e parecem tão duras e indigestas.

Eu me tornei militante da causa do nascimento humanizado por acreditar ser um caminho de transformação da sociedade. Nascer sem medicamentos, sem afastamentos, sendo ao chegar e para sempre tratado com respeito, dignidade. Ser um ser humano pleno em meio metro e poucos quilos. Não tratado como um pedaço  de carne submetido a series de procedimentos, manipulado como um objeto de um trabalho. Ser especial desde o início.

Gostaria de militar mais, além daqui deste espaço, da minha presença nos encontros mensais da Ong. Por isso me tornei doula. E essa atividade tem me causado muitas alegrias e frustrações também.

Quando uma gestante me pergunta sobre o melhor tipo de parto eu defendo o domiciliar. Por que eu acredito mesmo, que em circunstancias ideais, o lugar de nascer é em casa. Quando me perguntam sobre o melhor médico, recomendo que a assistência a uma gestante de baixo risco pode ser feita por uma enfermeira obstetra. Informar não é manipular, não é impor vontades, é oferecer aquilo que acredito.

Dentro de minhas ideologias eu sei que não toparia assistir a uma cesárea eletiva. Ainda não sei como funcionarei diante de uma indicação de uma cesárea questionável, uma vez que doula nem é reconhecida como profissional. Somos quase a amiga da parturiente.

Mas eu posso e vou, com todo amor do meu coração, empoderar com minha poesia, minhas sacudidas, o maior numero de mulheres que eu conseguir. Aqui ou pessoalmente, vou continuar a tocar violino num mundo punk rock. Sempre tem um coração que escuta.

Vou lutar para que a assistência privada possa oferecer flexibilidade e verdadeiro direto de escolha para a mulher decidir sobre seu corpo e sobre os procedimentos a serem realizados com seu bebe.  Vou luter para que ela questione e ela só poderá orquestrar se conhecer a música tocada, os instrumentos e andamentos da ópera. Vou empoderar mulheres para deixarem os médicos desconcertados com questionamentos e evidencias, como ser desnecessário cortar o perinio (episiotomia), raspagem dos pelos, lavagem, vantagens de caminhar durante o parto, importância de alimentar-se durante o TP, presença de uma doula.

Vou colecionar histórias de médicos e seus procedimentos questionáveis, ir as listas de discussão, colher a visão de outros médicos e devolver as evidencias para aquela mulher. Vou sempre informar sobre os limites do atendimento pediátrico dos hospitais e suas inflexibilidades. E sendo possível, mostrar como ficar em casa é vantajoso para a mãe e bebê.

Sei que posso influenciar positivamente. E vou fazer, acolhendo as dores e medos, trabalhando com reiki, meditação, diálogo, fotos e vídeos. Hei de captar muitas e muitas vezes a essência selvagem das mulheres, como desta linda doulanda da foto deste post. Quando a conheci ela estava em repouso, com medo de um parto prematuro e que no final da história pariu orquestrando a equipe em um parto orgânico, natural e mamífero.

Quero ver muitas e muitas vezes o fruto deste trabalho. Ele quem me faz voltar aqui, levantar a bandeira, abrir o coração e dormir sorrindo sabendo que valeu a pena.

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